Anemoia
é a saudade do que ainda não vivemos.
Era uma manhã de vento fresco e sol, estávamos passeando na pracinha, como de costume. Uma senhora idosa passeava com o seu cachorro em passos lentos, vestindo um corta-vento rosa e de cabelos brancos iluminados pelo sol. Nos cruzamos pelo caminho, e ela disse: “Que coisa mais linda o seu menino, Deus abençoe vocês!”
Geralmente, não sou receptiva aos comentários de estranhos na rua, mas nesse dia eu sorri e agradeci ao mesmo tempo em que corria atrás do pequeno explorador de pracinhas. Enquanto me afastava dela, ela disse “saudade dos meus pequenos”, e seguiu seu caminho.
Quando ouvi essa frase, algo em mim se acendeu de sentido — eu entendi perfeitamente de qual era o sentimento que ela estava falando.
Voltei pra casa emocionada e mais atenta. Prestei mais atenção no meu filho, observei cada detalhe com mais carinho, na tentativa de guardar cada pedacinho na memória por mais tempo. Me deleitei em apenas estar com ele.
Recebi um lembrete com essa senhora, um lembrete pra que eu não me esqueça do quanto esse momento presente é precioso, e de como ele passa rápido (realmente). Enquanto nossas crianças são pequenas, estamos sempre nos despedindo de uma versão deles e conhecendo uma nova. Aos poucos, as dobrinhas de neném vão sumindo, os passos vão ficando mais firmes, as mãos e os pés se alongam, as palavras vão surgindo…
Essa saudade ainda não é real — meu filho é pequeno e ainda estou jovem — mas eu a sinto.
Quando meus cabelos brancos também se iluminarem e reluzirem com o sol, quando o meu cachorro também for grisalho como eu, quando meu filho já estiver grande o suficiente para correr sozinho pela vida, e eu andando a passos lentos, saberei exatamente pra onde irá a minha saudade — ela estará cravada no sorriso banguelo, nas mãos miúdas, nos passos desengonçados, no suspiro de sono, no cabelo bagunçado e no pequeno colo do meu doce menino.
Por hoje, isso é tudo.
Obrigada por ler na beira comigo.
Com carinho sempre,




